A área da saúde em âmbito municipal está passando por um novo momento. Sob o comando de Jean Spall, a Secretaria de Saúde, desde o início do ano, segue um ritmo intenso de trabalho para melhor atender e assistir à população. Números da pasta apontam que entre janeiro e fevereiro consultas médicas com clínico geral é o principal serviço procurado pela comunidade. Em dois meses, balanço da Secretaria de Saúde indica que foram 14.595 atendimentos em consultórios de Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Consultas médicas especializadas foram a segunda maior demanda gerada pelos munícipes usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) nos primeiros 60 dias do ano. Neste período a Secretaria de Saúde de Canela, viabilizou 45.205 exames laboratoriais. Destaque também para exames de alta complexidade, como tomografia e ressonância, sendo fornecidos 278 e 120 exames respectivamente. Tanto consultas quantos exames são custeados pela Secretaria de Saúde. Conforme último censo demográfico realizado em 2022 pelo IBGE, a população de Canela é de cerca de 48 mil habitantes. “Nossa gestão tem como prioridade um atendimento humanizado, acolhedor e resolutivo, garantindo que cada cidadão receba os cuidados com respeito, empatia e eficiência; Vamos atuar com ênfase na prevenção e na promoção em saúde, promovendo ações que antecipem e reduzam agravos, fortalecendo a qualidade de vida da população”, comenta o responsável pelo sistema municipal de saúde, secretário Jean Spall. O raio-x do sistema municipal de saúde mostra que a Secretaria dispõe de R$ 73.116.965,09 para o ano todo de 2025. O montante é considerado insuficiente para o volume de serviços solicitados pela comunidade. “Pretendemos fortalecer a identidade do nosso hospital, o tornando uma referência na prestação de serviços de média complexidade e para isso estamos priorizando a qualificação dos atendimentos”, afirma ele. A estratégia após adequar a infraestrutura e a ampliação dos serviços ofertados à população é buscar valores para aplicar em melhorias na casa de saúde. “Esse fortalecimento permitirá a captação de recursos federais e estaduais, possibilitando investimentos contínuos na melhoria e expansão do hospital, garantindo um atendimento mais eficaz, resolutivo e também saúde financeira”, diz Spall. “Quero destacar que a secretaria de Saúde está passando por um grande processo de reestruturação dos serviços, onde o maior objetivo é garantir o atendimento humanizado e resolutivo, considerando os princípios do SUS com ênfase na equidade”. Projetos e ações desenvolvidas A Secretaria melhorou 16 ações e projetos que devem ser desenvolvidos pelo Governo municipal entre ampliações, implantações e reorganizações, e outras seis melhorias estruturais que possibilitaram novos resultados trazendo mais segurança à população. “As equipes de atenção primária estão completas, o que faz com que tenham condições de realizar todos os programas de forma efetiva. A equipe de saúde mental foi ampliada, atualmente estamos com psicólogos em todas as unidades de saúde, bem como médico de apoio”, explica o secretário Jean Spall. Ele também aponta como mudanças na gestão da pasta, o acesso às consultas através do agendamento e do acolhimento, priorizando as pessoas que possuem maior necessidade conforme sua condição clínica. “Maior agilidade das questões administrativas da secretaria”, afirma ele. Assim como, as demais engrenagens da máquina pública, a secretaria da Saúde também enfrenta obstáculos. Questionado sobre quais sãos os principais desafios enfrentados que estão sendo superados, Spall é objetivo. “Dar conta da grande demanda em virtude do aumento populacional do município e levando em consideração o cenário econômico atual, as nossas estruturas físicas são as, essa apenas substituiu a Unidade que estava localizada nos fundos do prédio do INSS”, conta ele. JEAN Spall ANA Maria Hospital vem superando obstáculos O Hospital de Caridade de Canela (HCC) é um equipamento público muito importante no sistema municipal de saúde. O estabelecimento também passa por um processo de reformulação e melhorias. “Quando assumimos o HCC em dois de janeiro de 2025 encontramos o hospital com alguns processos técnicos e operacionais divergentes, sem fluxos e sem protocolos definidos ou mesmo alinhamento de ações”, revela a administradora da casa de saúde, Ana Maria Rodrigues. “Encontramos o HCC sem alvará sanitário desde 2016, sem alvará dos bombeiros e sem PPCI, com todos os relatórios de vigilância sanitária encaminhados pela 5CRS sem respostas, com multas sanitárias vencidas, processos judiciais sem acordos, uma dívida da consulta popular de 2014 vencida já em execução judicial”, acrescenta a gestora. Conforme Ana Maria ações administrativas, técnicas e operacionais foram realinhadas para o hospital progredir. “O que a atual gestão vai seguir buscando são parcerias para implementação de novos projetos. Temos vários projetos arquitetônicos de ampliação para o HCC que iremos seguir na busca por captação de recursos, seja em nível local, no Estado ou na União”, afirma Ana Maria. Seguir na captação de emendas parlamentares; viabilizar novos serviços, trabalhar para ampliação de leitos; aperfeiçoar cada vez mais os processos de trabalho; aprimorar os protocolos e investir sempre em capacitações da equipe técnica são alguns dos objetivos que a casa de saúde continuará perseguindo. “Seguem as dificuldades financeiras, visto que o HCC atende 95% SUS e esse valor vem somente dos cofres públicos municipais. Por isso, a luta para validarmos o novo alvará sanitário, a fim de podermos contratualizar e rever os convênios e também a possibilidade de venda de serviços a outras entidades e captação de recursos externos da União e do Estado”, conclui Maria Helena. Os números da secretaria em 60 dias
Fiesta, música y parrilla: Tango cumple cuatro años!
O dia 28 de março vai ser de autêntica festa da gastronomia argentina com músicos e bailarinos de tango reunidos e o proprietário Rafael Vinicius da Silva recebendo o público para comemorar o aniversário do Tango. Será imperdível para quem está na Serra. A intenção da casa é proporcionar uma experiência única e autentica em torno da famosa parrilla argentina sem precisar sair da Serra Gaúcha. O Tango está de parabéns. Em seus quatro anos de vida vem se aperfeiçoando e aprimorando cada vez mais. Ocupando agora todo o espaço do prédio histórico Art Déco construído para ser sede do Banco Industrial e Comercial do Sul na década de 50 e que já abrigou o Fórum e por anos uma imobiliária, o Tango ficou com capacidade para 180 lugares onde se destaca a beleza da decoração e da iluminação interna e externa. Localizado em ponto super nobre na esquina da principal avenida de Canela, em frente à Praça João Corrêa e funcionando todos os dias das 11:00 às 23:00 o fogo da enorme parrilla comandada por Leandro Pruch está sempre aceso convidando a quem quer comer uma carne de qualidade e saborear os mesmos deliciosos pratos encontrados na Argentina que antes do Tango nos faziam ter que viajar quilômetros. O Menu à La Carte traz opções para toda a família e para qualquer hora que você chegar no restaurante. Seja para o almoço, um lanche, uma esticada na barra do Bar para o tradicional chope da Brahma bem gelado ou para se fartar comendo uma autêntica parrillada acompanhada por vinhos selecionados. Sob a gerencia de Keila Souza e a Chef Mari Camargo no comando da cozinha o Tango nos recebe com pratos irresistíveis como: As tradicionais Empanadas nos sabores carne, frango com catupiry, milho com gorgonzola, e cordeiro deliciosas a qualquer hora. Arancinis de linguiça, Croquetas de Costilla com batata, Entranhas com Provolone derretido e Camarões à milanesa para abrir o apetite. Para os pais a tranquilidade de ter um Menu Kids com iscas de frango, arroz e legumes salteados na manteiga. Os fãs do Choripan vão encontra-lo agora enriquecido com provolone e o Hamburguer da Chef faz a alegria dos jovens. Para acompanhar o Chopp sentados na calçada a Burrata Tango agora é servida em cama de rúcula com tomatinhos cereja, aceto balsâmico, temperada com pesto e limão siciliano confitado acompanhada de Focaccia. Na opções de carnes foram adicionadas a Costela Suína com aipim frito e farofa, a Costela que fica assando 12 horas, o T- Bone com legumes, o Prime Rib e como sempre para acompanhar o delicioso molho chimichurri da casa. Mas os não carnívoros tem opções ótimas como o Salmão com purê de mandioquinha, a Paella Marinera, Risotos,Ravioles, Nhoques e outras pastas com diferentes molhos. Para finalizar não podiam faltar “ el Dulce de Leche” presente nos Churros, no Petit Gateau, e na Torta Tango. Tango Restaurante Praça João Correa, 277 – sala 02 – Centro, Canela – RS (54) 3303-5494
Social da Samanta- 669
Time lindo de madrinhas, com a noiva do ano! Laura Kuntzler, Malu Meinhart, Alice Rampini, Bianca Hennemann, Jéssica Ramisch, Aline Santos, a noiva Letícia Rossa e Isadora Zimmer nessa foto que parece uma pintura! Foto: Guilhermebastian.com Weddingstock Letícia Rossi e Nicolas, momento repleto memorável de emoção e muita festa! Foto: Divulgação Arlete Oliveira comemorou 30 na profissão que tanto gosta numa festa rodeada de amigas e clientes! Foto: Divulgação André Toledo participando do Circuito Senac de Gastronomia com o renomado Chef Claude Troisgros e a Chef Jessica Trindade Yusa no Laghetto Siena Foto: Divulgação Renata Willrich, apaixonada por moda está aproveitando a programação do POA FW que está rolando no Shoping Iguatemi. No registo ao lado do Estilista Lino Villaventura Foto: Divulgação
Social da Bina – 669
Mariana Fritsch no POA Fashion Week no Iguatemi Foto: Andréa Graiz PÁSCOA NA RODA A Roda Canela se prepara para uma Páscoa repleta de diversão, trazendo uma programação especial para toda a família de 12 a 20 de abril. O destaque fica por conta da Caça aos Ovos no Bosque, uma experiência lúdica em parceria com a Waiss Chocolates. CASA NOVA Dia 5 de abril marca a abertura da Central de Negócios, da Alano Consultorias e Treinamentos. Informações. No comando Mariane Urbani e Juliana Alano. Julinho Cavichioni abraça Marcelo Borba, que assume como CEO da rede Mamma Mia Foto: Divulgação Ironilda Vidal Santos, minha vozinha, foi visitar o Castelinho Caracol e adorou o conhecer a história do lugar Foto: Bina Santos A beleza radiante de Fernanda Wronski em dia de bodas da irmã Foto: Divulgação Juliana e Felipe Werpp prestigiando o lançamento da pedra fundamental da nova sede da Gramadotur e Secretaria de Turismo de Gramado. A obra é da Hasam Group Foto: Divulgação
Beira de rio
Há poucas coisas capazes de me encantar tanto quanto um rio. Conheço alguns por este Brasil afora e cada qual com sua identidade, caudal, cor, cheiro e som. Já viajei, por dias, pelos rios Amazonas, Negro e Solimões com suas imensidões oceânicas. Vi o belo Tapajós e suas águas verdes e tomei banho no rio Papagaio, no Mato Grosso. Cheguei perto do degradado rio Tietê, em São Paulo e apreciei o rio Iguaçu e sua fabulosa catarata, na foz com o grandioso rio Paraná. Andei por vários trechos do rio Uruguai, desde a sua nascente até a foz com o rio da Prata, entre a Argentina e o Uruguai. Na região da Serra Gaúcha, aprecio os rios Santa Cruz, passando depois a ser o Caí, e o Caracol, com seu nascedouro na zona urbana de Canela e sua famosa cascata, seguida do vale da Lageana. Um outro rio foi tema de meu mais recente livro, o Silveira, de São José dos Ausentes. Ele tem uma particularidade em relação aos outros difícil de ser apontada, talvez por não ser apenas uma, mas inúmeras. Uma delas é o de poder apreciar o seu curso correr em calhas rasas pelo campo nativo de altitude, livre, fazendo aqueles desenhos na paisagem que desafiam a habilidade dos pintores a retratarem o quadro. Solto e ligeiro, escorrega pela negra rocha e vai abastecendo a biodiversidade, dele dependente. Outro detalhe é a sua água fria, transparente e carregada de vida. Peixes, crustáceos, moluscos, insetos, mamíferos, aves e esponjas vivem direta ou indiretamente deste longo corpo líquido que, ignorando obstáculos, cria contornos, voltas, cachoeiras e corredeiras, tornando-o único. Sentar, em um ponto estratégico, perto de uma corredeira e apreciar o movimento errático e barulhento provocado pela água caindo nos degraus irregulares do leito, vira uma canção de poucas notas, mas impossível de ser monótona. Identificar, com a calma de um naturalista, o seu significado para o ambiente em volta é gratificante. Garças, socós e lontras pescam; insetos e sapos fazem posturas nos remansos; libélulas sobrevoam e acasalam; borboletas lambem sal depositado nas pedras; o gado busca água fresca; carrapateiros voam, de uma margem a outra, em busca do gado para aproveitarem algum ácaro preso ao seu couro duro; um martim-pescador, empoleirado em um galho na margem, executa um mergulho certeiro e sai com um pequeno peixe preso ao bico, vibrando o corpo prateado na tentativa inútil de se livrar do predador; marrecas pardinhas nadam em círculos filtrando a água para capturar algum alimento, ariscas e levantando voo ruidosamente ao menor sinal de perigo; capivaras gordas andam lentas pela margem gramada ou, assustadas, mergulham nos poços profundos, sumindo da vista; um grupo de cavaleiros utiliza os rasos para cruzarem o rio, no ritual ancestral de um tempo sem pontes; árvores de branquilho estalam seus frutos secos com um som discreto, lançando suas sementes para todos os lados, inclusive na água, onde serão consumidas por alguns peixes. Assim vejo um rio, assim aprecio sua importância, assim absorvo suas lições.
Itinerário de um renascer
Corajosa, ela publicou em um livro a experiência de viver a dor profunda de um amor unilateral que lhe corroeu as entranhas de adolescente. A canelense de 18 anos Maria Clara Lodea Viezze, no entanto, conta de forma tão pungente a sua luta pela reconquista da felicidade, nas 55 páginas de O que (não) expresso, que a obra se distancia dos lugares-comuns das confissões, desilusões e incompreensões de quem parte para a vida adulta. A teenager que pareceu quase sucumbir encontrou ajuda na caneta, na arte e no grande círculo familiar, de amigos e profissionais que influíram no processo de cicatrização de uma crise e ajudaram a fazer surgir, quem sabe, uma escritora de estilo. Amargura e resignação que se misturam na narrativa, a própria (nas palavras de Lala) ordem confusa da montagem dos pedaços da sua vida alterna vários finais no livro e vários começos. Mas ela mostrou-se forte, reabriu janelas e partiu novamente para a vida. Trabalha, gosta de teatro, cursa Artes Visuais na Feevale e pode se orgulhar de ter escrito um relato sobre a sobrevivência após grandes feridas no coração lhe tirarem o norte. Lavando a alma Segundo Maria Clara, esta é sua passagem favorita de O que (não) expresso, a página sobre a virada. “Uma nova fase começou aqui, em 12 de junho de 2022. Ao pé da cascata acabei com tudo. Tudo aquilo que me faz infeliz desceu com as águas e retornou para cima renovado – esse é meu desejo mais profundo. Mergulhei profundamente nas águas mais frias e violentas, ouvi o som dos pássaros buscando compreensão ao que acontecia. Assim, soube que o fim estava próximo, o fim das violentas águas que afogariam em seguida meus mais cruéis sentimentos.” Uma rede de carinho e ensinamentos O rol de pessoas a quem Maria Clara Viezze é grata, na sua trajetória pessoal e, depois, na retomada de vida, está elencado no final do seu livro de estréia. Duas destas figuras significativas para o crescimento de Lala como artista e para esta conquistar a paz de espírito mandaram mensagens: “Lalinha chegou até mim com a insegurança de uma criança descobrindo o mundo, sempre muito curiosa e questionadora, mergulhou de forma intensa, até onde pode, no tratamento da sua análise, de repente surge a “Maria Clara” a adolescente em seu processo de transição para vida adulta, sem perder a graça da infância, deixando que a escrita organizasse seus pensamentos e ressignificasse a sua história. Ela foi corajosa, por vezes se despedaçou e na escrita e na arte foi se encontrando, desenhando, escrevendo, lendo e crochetando seus lutos e traumas. As lágrimas que por vezes rolavam no rosto iam se transformando em alívio dando espaço para ela criar.” Josi Fogaça – Psicanalista e pedagoga (depoimento autorizado) “A jovem autora Lala está lançando seu primeiro livro, uma obra que reflete não apenas sua paixão pela literatura, mas também sua inspiradora jornada de superação. Ela encontrou nas palavras e no teatro um refúgio e uma forma de expressão. Começou a escrever como uma maneira de dar voz aos seus sentimentos e experiências, transformando a dor em frases que ressoam profundamente. Um testemunho do poder da criatividade como ferramenta de cura e autodescoberta. Com seu livro, deseja tocar o coração de jovens que, assim como ela, podem se sentir perdidos em meio à escuridão, após uma desilusão amorosa. A obra promete ser um convite à reflexão, mostrando que é possível renascer das cinzas e que a arte pode ser uma luz orientadora em momentos de dificuldade.” Lisi Berti – atriz e dramaturga O evento de lançamento deO que (não) expresso (Criativa Leitura, 2025) acontecerá no sábado, 29 de março, das 14h às 17h, na Livraria Bambu – Rua João Pessoa, 25, Centro, Canela.Preço de lançamento: R$ 45,00.
Amor-cripto versus amor-dividendo
Investimentos têm tudo a ver com o amor. Especialmente nos dias de hoje, tempos de elevada volatilidade — tanto nos mercados quanto nas relações pessoais. Vivemos cercados por infinitas opções, acesso a informação instantânea e uma escassez quase crônica de paciência – fatores que atrapalham em ambos os assuntos. Nesse ambiente hiperconectado, tanto investir quanto se apaixonar virou um exercício constante de risco e retorno. Um pequeno deslize e você compromete seu portfólio — ou o seu coração (e com um pouco de azar, os dois ao mesmo tempo). Ambos exigem atenção redobrada, já que o cenário está fértil demais para más escolhas, seja nos rendimentos, seja na escolha de um parceiro para a vida. Na gestão do amor, assim como na gestão do dinheiro, a consciência e a maturidade fazem toda a diferença. Precisamos saber o que queremos e estar dispostos a fazer a diligência necessária antes de nos entregarmos a alguém — ou de aportarmos em uma nova oportunidade de investimento. Sem clareza sobre nossos objetivos e limites, ficamos vulneráveis a escolhas impulsivas, que podem custar caro no longo prazo — seja emocional ou financeiramente. Gosto de dizer que há dois tipos claros de relacionamento: o amor-cripto e o amor-dividendo. O primeiro é aquele que te leva aos céus em tempo recorde — jantares incríveis, viagens inesquecíveis, promessas de eternidade, flores em dias aleatórios e playlists românticas no Spotify — para, logo depois, simplesmente desaparecer da sua vida como se nada tivesse acontecido. Sou praticamente PhD nesse tipo (só no amor, que fique claro; em criptos da moda eu passo longe!). E, como todo investimento movido a hype, quanto maior a alavancagem emocional, maior a chance de você acabar no chão (ou no fundo do poço). É quase como ter investido em Dogecoin em 2021: quem colocou mil dólares em janeiro chegou a ter cerca de 146 mil em maio. Mas bastou o Elon Musk parar de tuitar sobre a cripto da moda para a moeda despencar mais de 90%. Imaginem quem comprou alavancado… Assim como no amor-cripto, quando você vai ver, sobrou só o meme — e o arrependimento. No outro extremo, estão os relacionamentos-dividendo — estáveis, constantes, quase previsíveis. É como investir em uma empresa como a Procter & Gamble, por exemplo: uma gigante do setor de consumo, que paga dividendos de 2 a 3% ao ano de forma consistente há décadas, e que aumenta seus proventos há mais de 60 anos, sem falhar. Durante a crise de 2020, enquanto o mercado derretia mais de 30%, suas ações caíram bem menos e se recuperaram antes do próprio S&P 500. Não é o tipo de investimento que faz brilhar os olhos à primeira vista — mas, no longo prazo, entrega valor de forma silenciosa e sólida. Nos últimos 10 anos, as ações da P&G mais do que dobraram de valor – sem grandes solavancos. Relacionamentos assim tendem a vir acompanhados de rotinas tranquilas, pouco drama, muita parceria e estabilidade emocional. A pessoa está sempre ali, pronta pra tudo. Nunca te deixa sem resposta, nunca perde a paciência, nunca reage demais. É tudo muito… equilibrado. A gente até tenta encontrar um defeito — ou provocar uma briga só pra testar o sistema —, mas não há terreno fértil para o conflito impulsivo, apenas para conversas maduras. Eu confesso: tentei relacionamentos desse tipo, e por vezes me entediei. Talvez eu fosse nova demais — ou apenas impaciente — para apreciar o poder do retorno composto afetivo. Hoje, às vezes me pego pensando se não seria o caso de reavaliar essa estratégia. Talvez o meu perfil de investidora amorosa tenha mudado, preciso revisitar. Por outro lado, resisto a acreditar se eu estaria feliz com uma constância de 3% ao ano. Talvez o ponto central esteja na diferença entre capacidade e tolerância ao risco. Nos investimentos, a capacidade de tomar risco é objetiva: quanto mais jovem você é — e maior o seu patrimônio —, maior a margem para enfrentar os quedas bruscas do mercado. Já a tolerância é subjetiva: há quem, mesmo jovem e com recursos, não durma tranquilo diante de um drawdown de 30%. No amor, vejo algo parecido. Aos vinte e poucos, mesmo quando somos mais intolerantes à volatilidade emocional, a nossa capacidade de tomar risco parece infinita. A gente se joga, quebra a cara, se levanta e recomeça sem muito drama. Mas depois dos 30, essa capacidade já não é mais a mesma. O tempo parece mais escasso, e a disposição para recomeçar, menor. A tolerância pode até ser alta — mas a capacidade emocional de lidar com perdas sucessivas diminui ao longo que amadurecemos. E talvez por isso a gente comece a olhar com mais carinho para os relacionamentos-dividendo. Ou, ao menos, a desejar uma carteira afetiva mais equilibrada, que una emoção e constância na dose certa.
Hora de voltar para a vida
O final da segunda guerra mundial foi seguido de comemorações por quem não esteve diretamente envolvido nela, porém àqueles que estiveram em campos de concentração, os familiares das vítimas, as cidades, as estruturas públicas levaram muitos anos para se reconstruírem e nunca mais foram as mesmas. A sociedade adoeceu com os temores, a necessidade de mudanças, com os sons, a dor das perdas e muitos foram os que nunca mais recuperaram a sanidade. A guerra acabou e ficaram os calos, as cicatrizes e o olhar desprotegido. A pandemia teve um efeito ainda mais nefasto do que as duas terríveis guerras mundiais porque envolveu toda a humanidade e a sequência, é um longo período de incertezas, de temores por novos vírus, de dor e sofrimento pelos que perderam a vida e pelo estranhamento com àqueles que permanecem com sequelas severas. Mesmo os que desafiaram o racional e afirmam não confiar na ciência, foram e são medicados, porém até hoje parecemos incrédulos com o resultado de uma catástrofe que deixou um rastro de inquietações, incertezas, fobias e ansiedades. Nossa saúde mental, ainda gravemente afetada, foi novamente atingida pelas enchentes de 2024 que ainda mantém vitimados muitos que perderam bens materiais e pior, a esperança. Depois de 11 meses, aparentemente, tudo voltou a normalidade e o funcionamento institucional das pessoas e Cidades está restituído. Porém, a miséria humana, econômica e social perdura oculta na superficialidade das relações que se estabelecem desde lá. Quem não sofre com a perda de afetos ou a ausência das pessoas queridas certamente não está vivendo a plenitude de sua habilidade emocional. Todos os dias, nos deparamos com quem prefere vínculos com animais, ao invés de pessoas; com a futilidade das redes sociais, do que com um chimarrão em uma praça; com aparência forjada nas academias, do que com a profundidade da arte e da cultura; com a solidão, do que a construção de novos vínculos. Necessitamos compreender a amplitude do nosso adoecimento para buscar alternativas de solução. E quando não percebemos o mal que nos causamos, merecemos um pouco de atenção de quem percebe nosso adoecimento nos trazendo de volta para a vida de fraternos vínculos familiares, de amizade e afetos.
Ervas medicinais – O jujo
(E a farmácia campeira…) A sabedoria popular sempre tem o seu remédio. Conforme Glênio Fagundes (Livro Cevando o Mate), “Na campanha, o gaúcho encontra no jujo (erva medicinal agreste) sua medicina campeira. E o veículo sagrado para a cura de seus males é o mate amargo (chimarrão), ‘dotorzito’ formado na ciência campeira, com larga experiência boquejada pelo atavismo da raça. Sabedoria que nos chega da observação do dia-a-dia, diretamente ligada à sobrevivência na interpretação dos ciclos vitais. Faculdade onde só a intimidade silenciosa com Deus o homem consegue razoar com a existência, pra harmonizar na Mãe-Natureza”. Essa medicina popular destaca entre os chás tradicionais mais usados a marcela, o boldo, a carqueja, o quebra-pedra, a alcachofra, o guaco, a aroeira, a erva santa (mastruz), a erva-cidreira, etc… O poeta Jayme Caetano Braun, na poesia Medicina Campeira, diz: “Eu não levo nos arquivos, / desta farmácia caseira, arrogância curandeira / nem ganas de saber tudo. É apenas simples estudo / da Medicina Campeira! Outro a abordar o tema foi o saudoso tradicionalista, escritor, folclorista e pesquisador Hélio Moro Mariante, no livro Medicina Campeira e Povoeira, com a história e o folclore em torno dessa prática. E, além desses, há também outros já estudados por laboratórios e tidos como “muito eficientes”, presentes no nosso dia a dia: – Cansaço: Lavanda – Preocupação: Melissa – Tristeza: Laranja – Sem energia: Hortelã – Otimismo: Sálvia – Ansiedade: Cidreira – Stress: Camomila – Irritação: Limão – Desconforto: Gengibre – Motivação: Erva Doce Já Aldyr Garcia Schlee (Dicionário da Cultura Pampeana Sul-Rio-Grandense), lembra: jujo é inço, erva ruim, vegetação invasora que infesta e prejudica a cultivada. // Erva medicinal, us. pela medicina popular campeira…”. Há, ainda, segundo o autor, o jujo-brabo, o jujo-colorado, o jujo-malo… Todos esses jujos (os considerados chás), a seu modo e na diversidade de apresentação (pó, folha, chá, cozimento, emplastro, xarope, etc), trataram e tratam dos males e moléstias do homem do interior do Rio Grande do Sul… a nossa terra!