Na minha juventude, o carnaval era um acontecimento aguardado com a ansiedade típica da idade. Era uma semana de folia, bebedeiras medonhas, brigas, namoros, quilômetros rodados no salão do clube Serrano, fantasias com os amigos e muita alegria.

A minha turma de infância, assim como outras de gerações diferentes, organizou diversos blocos, alguns hilários, como Os Metralha e outros. Vestidos como os larápios trapalhões da história em quadrinhos, harmonizávamos bumbo, cuíca, cacheta, tarol e aquela vontade de desfrutar os 10 minutos de atenção, quando tudo parava para o desfile. Depois da apresentação, riso e diversão motivados pela fantasia e os erros da nossa bateria. Hora de relaxar, beber e apreciar os outros grupos. Momento único, esperado e curtido ao máximo.

O tempo foi passando e as coisas atraentes desta folia foram sumindo devido à troca de cidade, da dispersão natural dos amigos em função de estudos em locais distantes, e esta diversão anual foi para segundo plano. Novas aventuras e perspectivas foram surgindo em função do curso de Biologia recém iniciado e a natureza, com seus infinitos caminhos, carregou-me para um novo salão, não os de bailes, mas um contendo a incrível possibilidade de imersão e descoberta das coisas da vida – a natureza.

Substituí, naturalmente, uma coisa pela outra, mas nunca esqueci das alegrias dos bailes e possibilidade de relacionamentos que neles havia. O barulho dos tambores foi trocado pelos sons naturais encontrados em lugares onde me embrenhava, tanto só como acompanhado de um grupo pequeno, com o mesmo propósito. Fui conhecendo lugares que me marcaram profundamente e me estimularam a seguir por aqueles atalhos invisíveis de prazeres, só encontrados na natureza. Até hoje me mantenho fiel aos encantos do grande salão natural, assim como conheço amigos que ainda apreciam os bailes de carnaval, mesmo não tendo aquela energia de antes. Uma vez identificado o gosto pessoal por alguma atividade, este se mantém ao longo da vida sem esforço. Seja o carnaval ou a trilha, o importante é participar com gosto e extrair do evento o máximo de prazer, pois é esta adrenalina vertida no sangue a única responsável por nos fazer pensar e planejar a próxima saída a campo, ou um novo tema para a fantasia de um bloco para embalar uma noite num salão de clube.