(E a farmácia campeira…)
A sabedoria popular sempre tem o seu remédio. Conforme Glênio Fagundes (Livro Cevando o Mate), “Na campanha, o gaúcho encontra no jujo (erva medicinal agreste) sua medicina campeira. E o veículo sagrado para a cura de seus males é o mate amargo (chimarrão), ‘dotorzito’ formado na ciência campeira, com larga experiência boquejada pelo atavismo da raça. Sabedoria que nos chega da observação do dia-a-dia, diretamente ligada à sobrevivência na interpretação dos ciclos vitais. Faculdade onde só a intimidade silenciosa com Deus o homem consegue razoar com a existência, pra harmonizar na Mãe-Natureza”.
Essa medicina popular destaca entre os chás tradicionais mais usados a marcela, o boldo, a carqueja, o quebra-pedra, a alcachofra, o guaco, a aroeira, a erva santa (mastruz), a erva-cidreira, etc…
O poeta Jayme Caetano Braun, na poesia Medicina Campeira, diz:
“Eu não levo nos arquivos, / desta farmácia caseira,
arrogância curandeira / nem ganas de saber tudo.
É apenas simples estudo / da Medicina Campeira!
Outro a abordar o tema foi o saudoso tradicionalista, escritor, folclorista e pesquisador Hélio Moro Mariante, no livro Medicina Campeira e Povoeira, com a história e o folclore em torno dessa prática.
E, além desses, há também outros já estudados por laboratórios e tidos como “muito eficientes”, presentes no nosso dia a dia:
– Cansaço: Lavanda
– Preocupação: Melissa
– Tristeza: Laranja
– Sem energia: Hortelã
– Otimismo: Sálvia
– Ansiedade: Cidreira
– Stress: Camomila
– Irritação: Limão
– Desconforto: Gengibre
– Motivação: Erva Doce
Já Aldyr Garcia Schlee (Dicionário da Cultura Pampeana Sul-Rio-Grandense), lembra: jujo é inço, erva ruim, vegetação invasora que infesta e prejudica a cultivada. // Erva medicinal, us. pela medicina popular campeira…”.
Há, ainda, segundo o autor, o jujo-brabo, o jujo-colorado, o jujo-malo…
Todos esses jujos (os considerados chás), a seu modo e na diversidade de apresentação (pó, folha, chá, cozimento, emplastro, xarope, etc), trataram e tratam dos males e moléstias do homem do interior do Rio Grande do Sul… a nossa terra!