Corajosa, ela publicou em um livro a experiência de viver a dor profunda de um amor unilateral que lhe corroeu as entranhas de adolescente. A canelense de 18 anos Maria Clara Lodea Viezze, no entanto, conta de forma tão pungente a sua luta pela reconquista da felicidade, nas 55 páginas de O que (não) expresso, que a obra se distancia dos lugares-comuns das confissões, desilusões e incompreensões de quem parte para a vida adulta.
A teenager que pareceu quase sucumbir encontrou ajuda na caneta, na arte e no grande círculo familiar, de amigos e profissionais que influíram no processo de cicatrização de uma crise e ajudaram a fazer surgir, quem sabe, uma escritora de estilo.
Amargura e resignação que se misturam na narrativa, a própria (nas palavras de Lala) ordem confusa da montagem dos pedaços da sua vida alterna vários finais no livro e vários começos.
Mas ela mostrou-se forte, reabriu janelas e partiu novamente para a vida. Trabalha, gosta de teatro, cursa Artes Visuais na Feevale e pode se orgulhar de ter escrito um relato sobre a sobrevivência após grandes feridas no coração lhe tirarem o norte.
Lavando a alma
Segundo Maria Clara, esta é sua passagem favorita de O que (não) expresso, a página sobre a virada.
“Uma nova fase começou aqui, em 12 de junho de 2022. Ao pé da cascata acabei com tudo. Tudo aquilo que me faz infeliz desceu com as águas e retornou para cima renovado – esse é meu desejo mais profundo. Mergulhei profundamente nas águas mais frias e violentas, ouvi o som dos pássaros buscando compreensão ao que acontecia. Assim, soube que o fim estava próximo, o fim das violentas águas que afogariam em seguida meus mais cruéis sentimentos.”
Uma rede de carinho e ensinamentos
O rol de pessoas a quem Maria Clara Viezze é grata, na sua trajetória pessoal e, depois, na retomada de vida, está elencado no final do seu livro de estréia. Duas destas figuras significativas para o crescimento de Lala como artista e para esta conquistar a paz de espírito mandaram mensagens:
“Lalinha chegou até mim com a insegurança de uma criança descobrindo o mundo, sempre muito curiosa e questionadora, mergulhou de forma intensa, até onde pode, no tratamento da sua análise, de repente surge a “Maria Clara” a adolescente em seu processo de transição para vida adulta, sem perder a graça da infância, deixando que a escrita organizasse seus pensamentos e ressignificasse a sua história. Ela foi corajosa, por vezes se despedaçou e na escrita e na arte foi se encontrando, desenhando, escrevendo, lendo e crochetando seus lutos e traumas. As lágrimas que por vezes rolavam no rosto iam se transformando em alívio dando espaço para ela criar.”
Josi Fogaça – Psicanalista e pedagoga (depoimento autorizado)
“A jovem autora Lala está lançando seu primeiro livro, uma obra que reflete não apenas sua paixão pela literatura, mas também sua inspiradora jornada de superação. Ela encontrou nas palavras e no teatro um refúgio e uma forma de expressão. Começou a escrever como uma maneira de dar voz aos seus sentimentos e experiências, transformando a dor em frases que ressoam profundamente.
Um testemunho do poder da criatividade como ferramenta de cura e autodescoberta. Com seu livro, deseja tocar o coração de jovens que, assim como ela, podem se sentir perdidos em meio à escuridão, após uma desilusão amorosa. A obra promete ser um convite à reflexão, mostrando que é possível renascer das cinzas e que a arte pode ser uma luz orientadora em momentos de dificuldade.”
Lisi Berti – atriz e dramaturga

O evento de lançamento de
O que (não) expresso (Criativa Leitura, 2025) acontecerá no sábado, 29 de março, das 14h às 17h, na Livraria Bambu – Rua João Pessoa, 25, Centro, Canela.
Preço de lançamento: R$ 45,00.