UM PIQUETE onde as mulheres ganham atenção e troféus
Na edição passada do Nova Época, quando pensava em dedicar um espaço desta coluna ao Dia da Mulher, soube do empenho de um grupo de canelenses ligados à tradição que valorizam sobremaneira a participação feminina na sua agremiação. As atividades do Piquete de Laçadores Presilha Serrana, no entanto, são dignas de ser mostradas também por outros aspectos. O piquete, cujo patrão é Bernardino Moura Sales, dentre os 19 existentes em Canela, talvez seja um dos que mais se orgulha em afirmar que, mais que ser formado por 40 membros, é constituído por 16 famílias. “A transparência nas decisões e no relacionamento entre todos é uma das razões de o Presilha Serrana ser um valioso ponto de encontro e nas nossas reuniões os homens e as mulheres decidem sobre ações que podem contribuir para a comunidade”, diz a integrante Ângela Perotto.
O encorajamento às mulheres que não têm ou tinham nenhum envolvimento com as coisas do gauchismo é uma das características do piquete. As que foram, com os filhos, “se aprochegando” ao Presilha Serrna por uma questão de parentesco ou para acompanhar o companheiro, hoje participam de cavalgadas. O número de 16 prendas é significativo, algumas delas boas de laço e ganhadoras de troféus. O mesmo acontece com crianças que se destacam dentro e fora de Canela em competições de vaca parada.

CAVALARIANAS do Presilha Serrana
Fato importante no Presilha da Serra, criado em 2.000, é o respeito à diversidade, valorizando a participação de portadores de Síndrome de Dawn (como Jean Macedo) e autismo entre seus atuais e futuros peões ativos. Conhecedora da equoterapia e da educação inclusiva, a professora Ângela Perotto enfatiza que o contato com o grupo e com o cavalo favorece o desenvolvimento dessas pessoas e há casos comprovados deste sucesso no Piquete. Estimular o culto à tradição gaúcha e deixar um legado também são finalidades do grupo, que apadrinhou a criação e até hoje apoia o DTG Presilha Mirim, formado por crianças da Escola de Educação Infantil Eva Alzira Bianchi Nunes, de Canela.
O QUE SÃO OS PTGS
Entidades agregadoras de indivíduos que cultivam o tradicionalismo, os Piquetes Tradicionalistas Gaúchos (PTGs) são grupos que cultuam os costumes dos antepassados, promovem ações de integração entre os membros, como as provas de laço, e participam de cavalgadas e do mais importante desfile gaúcho, o do 20 de setembro.
O piquete não tem a obrigatoriedade do vínculo com algum Centro de Tradições Gaúchas e não tem a sua atividade pautada nas normas ditadas pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho, mas seguem normas da RT – Região Tradicionalista. O funcionamento de um piquete pode ser semelhante ao de um CTG, mas a estrutura é menor, muitas vezes sem uma sede e há diversos casos de PTGs que tornaram-se CTGs.

JEAN Macedo e um jovem colega do Piquete
DE KOMBI NO MUNDO – XXIII
Rafael Pereira de Almeida (gaúcho radicado em Guarulhos e agora em sua casa sobre rodas) e o carioca Eduardo José Rodrigues Santos chamam a atenção dos apreciadores de motor-homes pela raridade do veículo com que estão viajando pelo Brasil.

Rafael e Eduardo
A Kombi Karmann Ghia Safari ano 1984 que Rafael adquiriu em 2024, que chama de Fênix, é a de número 353 de uma série em que só foram fabricadas 500 unidades, verdadeira casa móvel artesanal com um aproveitamento interno otimizado que lembra os similares grandes. O projeto é superior aos das Kombis adaptadas graças à otimização de espaço e acabamento. A atual viagem dos empresários, de São Paulo a Canela, teve o start em janeiro mas está programada para finalizar em dezembro, em Manaus.
Eduardo já viajou muito de moto, Rafael foi comissário de bordo em aviões e tripulante em navios de cruzeiros. Conhecem, portanto, o valor de ver sempre novos horizontes sem necessitar de muitos metros quadrados de alojamento para ser felizes. Acompanhe-os em www.youtube.com/@HORIZONTESOBRERODAS
